Sociolab Fundaj 2025-2026: Tempo de ser jovem.
Como os jovens percebem e vivenciam o próprio tempo? Essa é a questão central da pesquisa desenvolvida pela 9ª edição do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

Fonte: Acervo multiHlab
A pesquisa Tempo de ser jovem partiu das inquietações dos próprios bolsistas sobre a experiência da juventude e, especialmente, sobre a rotina dos estudantes do ensino médio em tempo integral. O grupo buscou compreender como os jovens utilizam seu tempo no cotidiano, quais são suas prioridades, como conciliam estudo, lazer e responsabilidades e qual papel a escola ocupa nessa organização. Mais do que pensar a juventude apenas como uma faixa etária, os estudantes propuseram refletir sobre ela como um período marcado por descobertas, escolhas, amizades, responsabilidades e diferentes formas de experimentar o mundo. O tempo de ser jovem não se mede no relógio, se sente na profundidade com que se vive.
A nova edição teve início no dia 03 de setembro de 2025, com a recepção dos novos bolsistas na Sala Gilberto Osório, no campus Apipucos da Fundaj. O encontro marcou
o início das atividades da 9ª edição e também a passagem entre os ciclos do programa.
Na ocasião, os estudantes assistiram ao vídeo de encerramento produzido pela equipe
do multiHlabpara os bolsistas da 8ª edição do PIBIC-EM, reunindo depoimentos, registros audiovisuais e imagens de momentos importantes vividos ao longo da pesquisa espelho.socio.

Fonte: Acervo multiHlab
Nos encontros iniciais, os bolsistas participaram de diferentes atividades de formação e aproximação com a pesquisa. Entre elas, estiveram experiências com o Laboratório Vivo de Modelagem, a participação no evento Currículo em Debate e a exibição do documentário Terceirão, ampliando as discussões sobre escola, juventude e cotidiano.

Fonte: Acervo multiHlab
Em 05 de novembro, foi realizada uma atividade dedicada à definição do tema de pesquisa da 9ª edição. A discussão teve como ponto de partida um mapa mental elaborado pela orientadora Viviane Toraci, tendo como eixo questões relacionadas ao ensino médio em tempo integral e à vivência dos estudantes nesse modelo de ensino.
Para aprofundar a reflexão, o orientador Joanildo Burity propôs uma dinâmica em grupos. A partir do diálogo, os bolsistas construíram seus próprios mapas mentais, reunindo temas e questões que despertavam seu interesse. Em seguida, as propostas foram apresentadas e discutidas coletivamente, permitindo que diferentes perspectivas fossem consideradas até a definição do tema central da pesquisa: a forma como os jovens utilizam o seu tempo.
A partir dessa escolha, os próprios bolsistas passaram a observar suas rotinas. Como atividade prática, registraram durante uma semana como distribuíam seu tempo entre escola, responsabilidades, lazer e outras atividades. A experiência permitiu que começassem a refletir sobre suas próprias vivências e sobre as diferenças entre o tempo planejado, o tempo vivido e o tempo percebido.

Fonte: Acervo multiHlab
A equipe do multiHlab esteve presente ao longo desse processo, contribuindo também para a dimensão de produção e documentação da pesquisa. Foram realizadas oficinas de fotografia, colagem digital no Canva e construção de sites no Wix, aproximando os estudantes de diferentes ferramentas de produção hipermídia. Após as oficinas, os bolsistas registraram, por meio da fotografia, como utilizam seu tempo de lazer, criando um conjunto de imagens e um vídeo disponível no canal do youtube do multiHlab, a partir de suas próprias experiências.

Fonte: Acervo multiHlab
Paralelamente, os estudantes participaram da construção da identidade da pesquisa, desenvolvendo coletivamente a marca e o site do projeto. O processo possibilitou que os bolsistas não fossem apenas pesquisadores, mas também participassem das etapas de comunicação e apresentação dos resultados, utilizando recursos visuais e digitais para compartilhar o percurso desenvolvido.

Com a definição do tema e das primeiras reflexões sobre suas próprias rotinas, o grupo iniciou uma das principais etapas metodológicas da pesquisa: a construção do questionário. No dia 18 de março de 2026, os bolsistas se reuniram na Sala Gilberto Osório para avaliar e selecionar as perguntas que comporiam o instrumento de pesquisa. Inicialmente, foram analisadas questões relacionadas ao perfil dos participantes, como idade, gênero, cor/raça e instituição religiosa. Em seguida, o grupo passou à discussão das perguntas diretamente relacionadas ao tema central do estudo, observando aspectos como clareza, objetividade, relevância e possíveis repetições.
O questionário foi construído de maneira colaborativa, com revisão e reformulação das questões a partir das discussões realizadas pelos próprios estudantes. Depois de concluída essa etapa, o instrumento passou por um pré-teste, realizado no dia 15 de abril.
Durante o pré-teste, os bolsistas e orientadores responderam às perguntas para verificar como o questionário funcionava na prática. A atividade permitiu identificar dúvidas, problemas de interpretação e pontos que poderiam ser aprimorados. Após a aplicação, o grupo realizou uma nova revisão e promoveu os ajustes necessários antes da coleta definitiva dos dados.

Fonte: Acervo multiHlab
No dia 29 de abril, a equipe voltou a se reunir para organizar a aplicação dos questionários. O encontro foi dedicado ao planejamento da coleta, à definição das orientações que seriam dadas aos estudantes em sala de aula e à divisão das duplas responsáveis por acompanhar a aplicação em diferentes turmas. O momento também foi utilizado para discutir a divulgação da próxima edição do PIBIC-EM, compartilhando com outros estudantes informações sobre o programa e as experiências vividas pelos bolsistas.

Fonte: Acervo multiHlab
Com os questionários aplicados, a pesquisa avançou para a etapa de análise das respostas. No dia 20 de maio, os bolsistas realizaram uma leitura coletiva dos dados, buscando identificar temas recorrentes, diferentes percepções e aspectos sociais e subjetivos presentes nas respostas. As informações foram organizadas em categorias temáticas para facilitar sua sistematização e orientar as etapas seguintes da pesquisa.
A partir do questionário, alguns estudantes também demonstraram interesse em participar de uma segunda etapa qualitativa, baseada em entrevistas realizadas pelos próprios bolsistas. Com o apoio do multiHlab, as entrevistas foram registradas em vídeo e posteriormente transformadas em material audiovisual publicado no canal do laboratório no YouTube.
Esse material também serviu como ponto de partida para o aprofundamento metodológico da pesquisa. No encontro do dia 15 de julho de 2026, os bolsistas participaram de uma oficina de análise do discurso em entrevistas, conduzida pelo pesquisador Joanildo Burity. A atividade apresentou, de maneira acessível e prática, caminhos para analisar não apenas o conteúdo das respostas, mas também a forma como os entrevistados se expressam, suas falas, comportamentos e outros elementos presentes na situação de entrevista.

Fonte: Acervo multiHlab
Ao assistir e analisar uma entrevista realizada por eles mesmos, os estudantes puderam colocar em prática os procedimentos discutidos na oficina, aproximando-se de ferramentas da pesquisa qualitativa e desenvolvendo um olhar mais atento para os diferentes sentidos presentes nas falas dos participantes.

Fonte: Acervo multiHlab
O percurso da pesquisa também transformou a compreensão dos próprios bolsistas sobre o tema. O estudante Gabriel Tenório refletiu sobre como a visão inicial do grupo foi sendo modificada ao longo do processo. A pesquisa havia começado a partir da sensação de que os estudantes do ensino médio integral não tinham tempo suficiente para “ser jovens”.
No decorrer da investigação, porém, os bolsistas perceberam que essa experiência não
era necessariamente compartilhada da mesma maneira por todos os estudantes.
A partir das respostas e entrevistas, o grupo passou a compreender o ensino em tempo integral também como um espaço de formação e convivência. A escola apareceu não apenas como lugar de estudo, mas como espaço de socialização, construção de identidades e criação de vínculos. A própria ideia de juventude também se ampliou: ser jovem não seria apenas dispor de tempo livre para o lazer, mas também estudar, assumir responsabilidades, fazer escolhas, construir amizades e viver diferentes experiências.

Fonte: Acervo multiHlab
Nas entrevistas, essa dimensão das relações foi especialmente destacada pela bolsista Letícia. Em sua reflexão, ela observou que, quando os jovens falam sobre o que significa ser jovem, raramente estão falando apenas sobre idade. A juventude aparece associada às experiências compartilhadas e, sobretudo, às pessoas que fazem parte delas.
A amizade, o tempo livre e a convivência surgem como elementos importantes para a construção de memórias e identidades. Nesse sentido, o tempo de lazer não representa simplesmente um período sem obrigações, mas um espaço de descoberta, convivência e experimentação. A análise também evidenciou uma percepção de que a juventude é passageira e de que, com o tempo, novas responsabilidades podem ocupar esse espaço.
Ao longo da pesquisa, os bolsistas passaram, assim, de uma pergunta sobre quanto tempo os jovens têm para uma reflexão mais ampla sobre como esse tempo é vivido e o que dá significado a ele. A experiência mostrou que diferentes estudantes vivenciam a juventude de maneiras distintas e que não existe uma única forma de ocupar, perceber ou atribuir sentido ao próprio tempo.

Fonte: Acervo multiHlab
Como encerramento do ciclo, a apresentação na JOIC possibilitou aos estudantes compartilhar os resultados da investigação e, ao mesmo tempo, refletir sobre o próprio processo de formação como jovens pesquisadores.

Fonte: Acervo multiHlab
Entre questionários, entrevistas, fotografias, mapas mentais, oficinas e debates, a 9ª edição do PIBIC-EM mostrou que pesquisar a juventude também é olhar para as próprias experiências e perceber que o tempo não é vivido da mesma maneira por todos.
A Bolsista Laila Menezes ao refletir sobre o que significa ser jovem a partir do conjunto de suas experiências pessoais e as vividas ao longo do processo da 9ª Edição do PIBIC Ensino Médio da Fundação Joaquim Nabuco fez esse vídeo que ilustra bem as "respostas"que os bolsistas conseguiram durante esse ano de PIBIC-EM.
No fim, talvez ser jovem seja justamente isso: encontrar, entre responsabilidades, escolhas, amizades, descobertas e incertezas, diferentes maneiras de viver o tempo que temos.



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